Itaú Cultural recebe Ciclo de debates “Crítica em Movimento”

O Itaú Cultural realiza, de 6 a 10 de setembro (quarta-feira a domingo), Crítica em Movimento. A programação reúne artistas, jornalistas, críticos, pesquisadores e gestores brasileiros, chilenos e portugueses, em debates e espetáculos que refletem sobre as presenças e as lacunas da prática da crítica no teatro, na dança e no circo na atualidade. Com curadoria do jornalista, crítico e pesquisador Valmir Santos, a atividade levanta questões a respeito da prática e dos espaços dados a esse o olhar especializado. Complementa, ainda, o campo das ideias com a apresentação de três espetáculos dentro desses segmentos das artes cênicas.

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Crédito: Gal Oppido

Essa programação procura refletir de forma mais ampliada sobre o circo, o teatro e a dança a partir da crítica”, destaca o curador Valmir Santos. “No teatro, onde era importante para a relação com a classe artística, ela vem sofrendo uma curva decrescente, com menos espaços, e com menos qualidade”, continua. O curador observa, ainda, um período de recuo na crítica em relação à dança, na atualidade, e uma grande lacuna no circo, quase sem esse tipo de registro. “A crítica é um ofício em crise e em transe”, conclui.

 

Em busca desse reencontro com o olhar mais apurado para as artes cênicas, Crítica em Movimento abre no dia 6 de setembro (quarta-feira), às 20h, com uma conversa com Mariangela Alves de Lima sobre o pensar e o fazer crítico. Personagem icônica deste estilo jornalístico, que atravessou quatro décadas em atividade na mídia, ela faz uma participação rara para falar sobre a atividade, após deixar as redações em 2011. “É importante abrir com um encontro com uma pessoa como Mariangela, que sempre teve a singularidade de abordar em suas críticas o espetáculo de forma mais filosófica sobre o texto, sempre vendo a peça para além dela. Esse encontro será uma oportunidade rara, porque ela tem um legado de texto e produção dentro da crítica teatral”, analisa o curador.

 

A série de quatro mesas que integram a programação tem início no dia 7 de setembro (quinta-feira), às 14h, com foco no teatro. Com mediação do dramaturgo, diretor e fundador do Teatro de Narradores José Fernando de Azevedo, Problemas do trabalho e da arte da crítica reúne o crítico de teatro brasileiro Wellington Andrade e o português Jorge Louraço Figueira, ex-crítico de teatro no jornal Público, um dos principais diários daquele país. Eles debatem sobre como as transformações da era digital impactam o trabalho profissional, questionando de que forma a precarização do ofício na imprensa escrita pode estar ligada à irrelevância da crítica para a sociedade.

No dia 8 (sexta-feira), o debate é duplo. Às 14h, a mesa Quem tem medo do popular? O vão entre o circo e a crítica coloca este gênero na berlinda. A análise é da pesquisadora campineira e integrante da quarta geração circense no Brasil Erminia Silva e da gestora Fátima Pontes, que há 17 anos coordena a área executiva e artística da Escola Pernambucana de Circo. Com mediação do diretor e artista circense Rodrigo Matheus, elas avaliarão que fatores influenciam no afastamento histórico da crítica em relação ao circo no Brasil.

Às 16h30 desse mesmo dia, a pesquisadora e gestora chilena Maria José Cinfuentes, diretora artística do Nave – Centro de Criação e Residência, divide com o coreógrafo e criador brasileiro Daniel Kairoz a mesa Margem para o gesto autocrítico na recepção em dança. A mediação é da crítica, curadora de dança e artista do corpo Flávia Couto. A partir da ideia de que as danças são criadas em diferentes ambientes, meios culturais e sociais, a proposta é analisar como a crítica, baseada em conceitos pressupostos, pode desconsiderar quem cria, onde cria e para quem cria as obras analisadas.

No sábado, dia 9, às 14h, a crítica propriamente dita será o tema da última mesa do encontro. Ações, iniciativas e transformações da prática da crítica reúne a jornalista, crítica e pesquisadora de teatro Pollyanna Diniz, a artista Sheila Ribeiro e a jornalista, crítica teatral e doutora em artes cênicas pela USP Beth Néspoli. Elas representam, respectivamente, a plataforma DocumentaCena, o projeto 7X7 e o site Teatrojornal – Leituras de Cena. O trio compartilha experiências a partir do olhar sobre a ação e atuação dos coletivos, que vêm dinamizando as relações entre artistas, públicos, críticos e gestores culturais, potencializando ainda o pensamento crítico.

A ideia geral é analisar o pensamento crítico de forma expandida, e não só em relação ao lado artístico. É importante considerar como a crítica pode ser relevante à sociedade”, arremata Valmir Santos.

 

Palco

Apostando na apreciação como também parte do falar sobre crítica, a programação de Crítica em Movimento reserva espaço, ainda, para a apresentação de espetáculos de dança, teatro e circo. No palco, as três linguagens das artes cênicas mostram ainda que podem quebrar as barreiras e se fundirem.

É o caso de Fados e Outros Afins, espetáculo de dança que a coreógrafa Mariana Muniz apresenta no dia 8 (sexta-feira), às 20h, com direção artística da diretora teatral Maria Thaís. Criado a partir de uma imersão nas origens brasileiras e nordestinas da coreógrafa, o solo tem uma dramaturgia concebida a partir do corpo, como uma viagem poética de Lisboa a Recife. Na criação e composição, ela e Mariana exploram o hibridismo de linguagens artísticas da dança e do teatro, que servem à ampliação dos limites das conexões entre questões cênicas, coreográficas, dramatúrgicas, visuais e performáticas.

No dia 9 (sábado), também às 20h, a peça Isso não é um sacrifício leva à cena a atriz Fernanda D´Umbra na pele de uma mulher prestes a ser apedrejada até a morte. O espetáculo concebido e dirigido por Christiane Tricerri, com texto de Fernando Bonassi, trata da violência, do descarte diário e do apedrejamento feito todos os dias, e em especial nesta mulher, que já foi usada de diversas formas e agora será descartada.

O ato final de Crítica em Movimento fica por conta da apresentação do circense Sobrevoltas no dia 10 (domingo), às 19h, com reapresentação no instituto no dia 12 (terça-feira), às 20h. Contemplado pelo programa Rumos Itaú Cultural 2015-2016, este espetáculo de circo sobre o próprio circo reúne os integrantes do coletivo Circo Enxame Giulia Tateishi, Jan Leca e Renato Mescoki, o músico percussionista Rubens de Oliveira e o diretor Rodrigo Matheus, da cia. Circo Mínimo. Com corda bamba, malabarismo, corda lisa, acrobacia e música ao vivo, a trama trata de três circenses brasileiros e recém formados em escolas superiores do gênero na Europa e Canadá, que voltam ao seu país e dividem com o público seus anseios, questionamentos e satisfações enquanto artista.

Serviço:

Ciclo de debates Crítica em Movimento
De 6 a 10 de setembro (quarta-feira a domingo)
Entrada gratuita
Local: Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1776/1777
Distribuição de ingressos:
Público preferencial: 2 horas antes do espetáculo (com direito a um acompanhante)
Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)
Toda a programação tem interpretação em Libras.

5.9.2017
 
Author: Cristiane Joplin

Redatora do Guia de Teatro

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