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Flavia Garrafa
Humor com muito fôlego!
 

Ela se formou em Psicologia mas a paixão pelo Teatro foi mais forte. A atriz Flávia Garrafa recebeu o Guia de Teatro em sua casa e falou de sua veia humorística, do sucesso nos espetáculos “Adorei o que você fez” e “Toc Toc” e da aventura de atuar em três espetáculos diferentes todas as semanas.

 

Guia - Você está em cartaz com três peças de teatro. Três comédias. O humor é o formato que te deixa mais à vontade no palco?

Flavia - Eu acredito no teatro como um veículo transformador e acho que o riso é uma maneira eficaz de se fazer crítica, de mostrar algo mais profundo, quando essa crítica é pertinente. O humor cria uma abertura maior, um contato mais íntimo com a platéia, e consequentemente a crítica é mais bem absorvida. E eu sempre carreguei o humor comigo. Sempre fui muito engraçadinha (risos). Na minha adolescência eu era meio feinha, gordinha, e acabei desenvolvendo outros atributos. Sabe aquela pessoa que está mal do coração, que o coração não bate direito, e ela acaba desenvolvendo uma outra veia? Isso acontece mesmo. Eu acabei por criar uma outra veia e no fim isso ajudou muito na minha vida. Eu sinto que trouxe uma leveza para mim mesma. Essa coisa de olhar a vida sob um ponto de vista engraçado, de rir da própria desgraça. A cena clássica da comédia é um cara escorregando numa casca de banana. Uma tragédia! Uma baita sacanagem a gente rir disso. Mas a gente pensa “como esse cara é atrapalhado. E se fosse comigo?” Quando percebi que dava certo na comédia, fui ficando. Morro de vontade de fazer um drama, mas eu adoro fazer comédia, é uma coisa que me dá muito prazer.

 

Guia - Então a peça “Adorei o que você fez” é um prato cheio pra você?

Flavia - Estou adorando fazer a peça. Quando eu soube que ia substituir a Márcia Cabrita, que é uma grande comediante, além de ser uma grande amiga, eu pensei na responsabilidade que estava assumindo. E além disso tem a peça em si que, a princípio, parece uma simples comédia de costumes, mas que acaba mexendo demais com as pessoas, porque fala da hipocrisia e da falsidade de uma forma real. Um casal -  sem perceber que seu celular discou acidentalmente pra um outro casal de amigos - fala abertamente sobre que pensa deles. E tudo é ouvido pelo outro casal. Essa “sinceridade” gera os conflitos da peça. A autora, Carole Greep, declarou um vez “eu tenho certeza que depois de assistir essa peça as pessoas vão verificar se bloquearam o celular”. Eu acho que a gente vive numa era de muita hipocrisia. Então, porque não tirar sarro disso? O público acaba por se questionar “a gente não é assim mesmo?”. As pessoas só riem porque se identificam.

 

Guia - E o “Toc Toc”, tem um sabor especial? Afinal, você é formada em Psicologia.

Flavia - O Toc Toc foi um grande desafio para mim. A Denise Weinberg me disse “tem uma peça que é a sua cara”. Eu fiquei na dúvida se era uma peça que ia agradar ou não os psicólogos, porque o TOC é um problema muito sério, é uma doença, um transtorno. Mas na peça ele é encarado com muito respeito e bom humor. A gente está há mais de dois anos fazendo sucesso e todo mundo do meio da Psicologia recebeu a peça super bem. Algumas pessoas se identificam de cara com algum personagem. Outras conhecem alguém exatamente como um ou outro no palco. Acho que a arte também tem esse papel, de fazer as pessoas se perceberem. O teatro ajuda a se auto conhecer. E no Toc Toc isso acontece com muito bom humor. Não vem de uma forma trágica.

 

Guia - Você faz as duas peças na sequência. Acaba uma, troca o público, e lá está você novamente, no mesmo palco, mas em outro espetáculo. Como é isso?

Flavia - Eu desenvolvi um método. Chama “banho”(risos). Eu tenho que administrar dois personagens diferentes numa mesma noite, num mesmo teatro. E cada um tem uma energia diferente. Eu percebi que precisava fazer alguma coisa que me tirasse da energia da primeira peça pra eu poder encarar a energia da segunda. Quando eu chego pra fazer o “Adorei” o cenário está montado. Eu me maquio e me visto pensando na Marie, personagem do “Adorei”. Faço o espetáculo com um elenco incrível. Quando acaba, tomo um banho. Pode até parecer “bicho-grilisse”, mas o banho me tira daquele estado, dá uma limpada na pele, dá uma sensação de relaxamento. Aí eu coloco o figurino da Lili (do Toc Toc) e vou comer uma salada que eles fazem para mim. Quando eu chego no palco, tem outro cenário, outro elenco. É quase esquizofrênico! Aí você fala “mas eu estava aqui antes!” Você está no mesmo teatro mas muda tudo. Muda seu figurino, muda o elenco, muda sua história, seu personagem. E ainda tem o TPM Katrina, espetáculo que eu faço às quartas e quintas-feiras. É muito louco!

 

Guia - E com toda essa correria, ainda sobra tempo para novos projetos?

Flavia - Com certeza! Eu vou fazer um longa metragem. É a adaptação da peça “Paulo Francis está morto” escrita pelo Paulo Coronato. O filme vai ter a direção da Denise Weinberg, que também dirigiu a peça. Também estou lendo alguns livros para ver se encontro alguma coisa legal para fazer uma adaptação. Queria fazer uma tragicomédia. Mas por enquanto é só projeto. De certo, tenho as três peças e o longa.

 

Adorei o que você fez

Sex, 21h e dom, 18h, R$50.

Sáb, 20h, R$60. Até 06/06.

Classificação: 12 anos.

 

Toc Toc

Sex, 22h45 e dom, 20h, R$60.

Sáb, 22h, R$70. Até 27/06.

Classificação: 12 anos.

 

Teatro Gazeta - Av. Paulista, 900

Cerqueira César - Tel: 3253-4102

 

TPM Katrina

Qua e qui, 21h. R$20 e R$30. Até 29/07.

Classificação: 12 anos

Teatro Folha – Av. Higienópolis, 618

Higienópolis - Tel: 3823-2323.

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