Elas podem ser vistas juntas todas as semanas na série “A Grande Família”. Mas essa parceria é muito mais antiga que o programa da TV. Marieta Severo e Andréa Beltrão agora dividem o palco na peça “As Centenárias”. Elas falaram com o Guia de Teatro sobre o sucesso dentro e fora de cena.
Guia - Atrizes, amigas e sócias. Como começou essa parceria?
Marieta - Já são vinte anos. Desde 1989, com “A Estrela do Lar”. Foi a primeira vez que trabalhamos juntas. Nós já nos conhecíamos, mas bem superficialmente. Só socialmente. Então, a partir de “A Estrela do Lar” é que essa enorme amizade e parceria se estabeleceram e vêm se desenvolvendo nesses anos todos até culminar com nossa criação máxima, o Teatro Poeira. Nós o idealizamos e construímos.
Andréa - É. Ali foi tijolo por tijolo.
Guia - E por que ter um teatro?
Andréa - É o sonho de todas as atrizes do mundo, não é?
Marieta - Para poder ter a liberdade de fazer o que quiser. E também poder colaborar com a história. Uma linhazinha, uma poeira que seja na cultura teatral. Você começa a se expandir para territórios que não são os da atriz nem os da produtora. Somos atrizes e produzimos nossos trabalhos. Mas ter um teatro é algo único. Nós temos vários programas lá dentro patrocinados pela Petrobrás: o Artista Residente, o Artista Visitante, o Ponte Aérea. São pessoas que estão se formando, se aprimorando ou experimentando. Nós damos chance para outras coisas acontecerem além dos nossos projetos. Isso dá um prazer enorme. Além das dívidas. (risos). A gente divide dúvidas e dívidas. Isso que é bom em uma parceria.
Guia - “As Centenárias” é uma peça escrita especialmente pra vocês. Como é fazer um espetáculo assim?
Andréa - É a segunda vez. “A Dona da História”, do João Falcão, também foi escrita para nós. A Marieta tinha visto um infantil dele e achou maravilhoso. Apaixonou-se pela poesia. Então perguntamos se ele topava escrever uma peça para nós. Com o Newton Moreno foi a mesma coisa. A Marieta viu o “Agreste” e logo pensamos em falar com ele. Aí o Newton nos trouxe “As Centenárias” e nós adoramos.
Marieta - Nós estreamos o Teatro Poeira com “Sonata de Outono”. Fizemos durante meses. Depois, nós levamos o “Agreste” para lá. Foi a primeira vez que o Newton se apresentou no Rio de Janeiro. Depois, como consequência disso, a gente pediu para ele escrever uma peça pra nós. Agora, nós temos uma sorte do cão né? (risos). Porque nós encomendamos duas peças e as duas foram maravilhosas. Eu posso dizer até que foram três porque em “A Estrela do Lar”, quando eu liguei pro Mauro Rasi e falei: “Mauro, eu queria fazer uma peça sua” ele blefou: “Ah, eu tenho uma peça aqui”. Contou uma história e tal. Na verdade ele ainda não tinha escrito nada. Só depois ele escreveu. Então, nós temos essa sorte sim. “A Estrela do Lar” é uma peça excelente!
Andréa - Maravilhosa!
Marieta - “A Dona da História” é uma peça excelente e “As Centenárias” já está excelente. Então, nós realmente temos muita sorte, porque você pode encomendar uma peça e ela não ser boa, não sair a contento. Já aconteceu de colegas nossos nos relatarem isso. Nós temos uma sorte danada.
Guia - Mas essa sorte danada não é porque vocês abrem muitas possibilidades pro autor?
Marieta - Nós temos um bom faro. “Olha, esse cara é legal”. Trabalhamos com a menor margem de erro.
Guia - “As Centenárias” lida com a morte. O que o espetáculo ensina pra vocês, na vida real, sobre a morte?
Marieta - Nos ensina a brincar com ela, desrespeitá-la, a gozar com a cara dela. Porque a peça faz isso. Dá um nó nas pernas dela. Eu acho que o que encanta é essa possibilidade de você poder brincar com a morte.
Andréa - Fazer no palco o que na vida a gente não pode fazer.
Guia - E aí, fazendo no palco, fica mais fácil na vida?
Marieta - Na vida real a gente não está preocupado com ela.
Andréa - A gente não vai morrer não, não se preocupe (risos)
Guia - Vocês já têm mais algum projeto pra parceria?
Andréa - “As Centenárias” tem uma vida longa pela frente. Muito longa! A princípio nós vamos ficar dois meses aqui em São Paulo, mas se for sucesso podemos ficar um pouco mais.
Marieta - A gente quer viajar com a peça, voltar pro Rio. Tem muita gente que fala “Vocês saíram! Não acredito que vocês não vão voltar!” Então nós ainda temos uma história muito grande com “As Centenárias”. Seria traição ficar pensando em outra coisa.
Guia - Em que trabalhos vocês estão envolvidas atualmente?
Marieta - Eu fiz o longa “Os Sonhos Roubados” da Sandra Werneck que deve ser lançado este ano no segundo semestre. Tem também “A Morte de Quincas Berro D Água” do Sérgio Machado, que eu estou filmando. E tem “A Grande Família” e “As Centenárias”, que vão continuar até sabe Deus quando.
Andréa - Eu acabei de fazer o filme “O Bem Amado”. Acabei também o filme do Sérgio Rezende “Salve Geral” e a minissérie do Fernando Meirelles “Som e Fúria”. Tudo deve ser lançado por esse ano. E continuamos com “A Grande Família”
Guia - Então “A Grande Família” também tem vida loga, ainda?
Andréa - Claro! Lá também não morre ninguém, não! A gente usa um “antimorrente”!(risos)
As Centenárias
Teatro Raul Cortez
R. Dr. Plinio Barreto, 285
Sex, 21h30 e dom, 17h, R$80. Sáb, 21h, R$90.