Entrevista – Rafael Portugal fala sobre a estreia do “Stand-up mais aguardado do ano”

O espetáculo O Stand-up mais aguardado do ano é o resultado da amizade que surgiu entre os comediantes Fabiano Cambota, Rafael Portugal, Rodrigo Marques, Thiago Ventura e Nando Viana durante as gravações de um programa de humor. Depois de terem percorrido todo o Brasil lotando os teatros por onde passaram, cada um com seu show, esses consagrados comediantes resolveram juntar o que cada um tem de melhor em um grande show de stand-up. O Guia de Teatro conversou com Rafael Portugal sobre esse espetáculo que promete agradar a todos.

 

Foto_entrevista__standup_mais_aguardado

Crédito: Divulgação

Guia – Vocês unem no show, um paulista, um gaúcho, um pernambucano, um goiano e um carioca. Dá pra sentir a diferença do humor de cada um no palco?
Rafael – Isso fica bem claro e é o que tem feito funcionar o espetáculo, porque isso gera essa identificação com o Brasil em si. Obviamente, existem alguns estados que não são representadas, por não terem um comediante específico de lá no palco, mas todos têm um humor bem abrangente e a gente acaba por fazer um espetáculo que pega o Brasil inteiro. Então funciona muito bem e, de fato, cada um consegue expressar as piadas da sua localidade, não só falando a respeito das coisas que acontecem na sua região, mas também sobre o seu dia-a-dia particular, que acaba sendo completamente diferente um do outro. O que o Thiago vive com a mãe dele em São Paulo é uma coisa. O que eu vivo com a minha mãe no Rio é outra. O que o Cambota conta sobre a história do pai que vive em Goiás é outra. Então, não só por conta de falar sobre coisas regionais, mas sim porque cada um vive uma história diferente no seu local, o espetáculo acaba sendo a cara do Brasil. E mesmo quem não sabe exatamente o que o cara vive, acha engraçado, porque ainda que ele não se identifique especificamente com aquela pessoa, as histórias são assim, trazem uma identificação por ter essa brasilidade. E então funciona.

 

Guia – Como surgiu a ideia de juntar esses comediantes em um espetáculo de satand-up? Quais as vantagens de estar no palco ao invés de na TV?
Rafael – A vida de todo mundo do elenco começou no teatro e a gente vive do teatro, apesar de cada um estar na TV fazendo coisas – eu, por exemplo, estou também no Porta dos Fundos. Mas o que a gente faz sempre é teatro, é palco. Os meninos fazem stand-up. Eu fiz muitos espetáculos teatrais e faço meu espetáculo solo. A gente está trabalhando o tempo inteiro e está muito no palco o tempo todo. A resposta do palco é diferente da TV, onde o reflexo do programa aparece com muita força nas redes sociais e a gente é abordado na rua pra falar do programa. No palco a resposta é imediata, o calor é imediato, é a piada do bate e volta. Você fala e tem a resposta da plateia. Esse calor do palco não tem igual, não tem explicação. Eu amo fazer teatro e todo mundo do elenco tem isso também. Existem pessoas que são muito bem resolvidas com a TV. Não sentem falta do palco e nem fazem nada no teatro. Mas calhou de o elenco desse programa ser formado por pessoas que estão o tempo inteiro fazendo coisas no teatro, e isso foi ótimo também. Quando está gravando um programa, o que a gente tem ali são câmeras, produção e todo mundo envolvido num projeto que faz acontecer e que a gente vai ter a resposta depois. No teatro você entra e ali começa a festa.

 

Guia – Os acontecimentos do Brasil atual fizeram as pessoas criarem expressões como “O Brasil é o País da piada pronta”. Ao mesmo tempo, o “politicamente correto” atua meio como uma censura para muitos humoristas. Afinal, está mais fácil ou mais difícil fazer humor no Brasil?
Rafael – A verdade é que nunca foi fácil fazer piada. Obviamente, para algumas pessoas o humor está mais aflorado, é mais natural, mas não é que seja fácil, porque construir uma piada exige texto, exige ler, ouvir, estar atento ao que acontece. O humor é uma resposta. Tem piadas que vão durar quarenta anos. Você vai falar seu texto e as pessoas vão rir durante quarenta anos. Está aí o Chaves que vai passando de geração em geração. Mas a gente tem uma preocupação em criar coisas novas, sempre. O Ventura, por exemplo, participa do projeto Quatro Amigos em que eles vão para o palco para fazer piadas sobre cidade onde eles estão. Tem o Comédia ao Vivo que cria muita coisa. A cada dia que passa, os humoristas procuram ter mais e mais textos novos para apresentar. Agora, no Brasil a gente tem o privilégio de viver coisas muito malucas que acontecem o tempo inteiro, seja na política ou em outros segmentos, e que acabam virando piadas. Esse processo acontece no mundo inteiro, mas no Brasil é o tempo todo. Tanto que o Brasil é pioneiro na internet, se destacando por conta dos memes e tudo o mais. É um dom nosso, é coisa nossa. Mas trazer isso para o palco exige um trabalho grande e não é fácil. Por outro lado, a internet hoje nos permite entender que determinadas coisas tidas como engraçadas como, por exemplo, piadas racistas, piadas homofóbicas, piadas machistas, não são um caminho interessante, a partir do momento em que algumas pessoas se sentem agredidas. Então, eu acho que o politicamente correto veio para ponderar, mas não para limitar o humor. A gente tem um leque amplo por conta de tudo que a gente vive e dá para fazer piada, cada um escolhendo o caminho que quer. Eu não estou aqui para criticar, mas esse não é o meu caminho de humor.

 

Guia – Vocês participam do show juntos no palco ou cada um faz a sua apresentação separadamente?
Rafael – As duas coisas acontecem. A gente faz muita coisa juntos no palco, mas faz separados também – tem um momento de cada um. É muito parecido com o que a gente faz no programa da TV. São as duas coisas acontecendo e mais um pouco. Vale a pena conferir!

Serviço:

O Stand-up Mais Aguardado do Ano

Temporada a partir de 14 de agosto até 11 de dezembro de 2018
Apresentações: Terça-feira, às 21h
Local: Theatro NET São Paulo R. Olimpíadas, 360 – Itaim Bibi – Shopping Vila Olímpia
Vendas: Ingresso Rápido

31.7.2018
 
Author: Cristiane Joplin

Redatora do Guia de Teatro

Adicionar comentário