Entrevista: Amanda Acosta e Antonio Fagundes falam sobre o musical “Carmen – A Grande Pequena Notável”

Após assistir ao Musical “Carmen, A Grande Pequena Notável”, o ator e produtor Antonio Fagundes decidiu que iria produzi-lo. Em conversa com o Guia de Teatro ele e a atriz Amanda Acosta (que interpreta Carmen Miranda) falaram sobre esse espetáculo tão especial para a cultura brasileira.

 

Com produção de Antonio Fagundes Carmen - a grande pequena notável está em cartaz no Teatro Tuca

Guia – Como é fazer um musical voltando pra origem dos nossos musicais que é o Teatro de Revista?
Fagundes – O Teatro de Revista tem a base na comunicação rápida e fácil com o público e uma forma gostosa de contar uma história. A Carmen Miranda contada dessa forma faz com que a família inteira possa ir junto ao teatro – crianças, adultos, avós – todos com as mãozinhas dadas cantando junto as músicas da Carmen.
Amanda – O espetáculo tem essa linguagem de Revista que acessa imediatamente as pessoas porque vem de uma construção social e de uma identidade que estão na gente. Por isso o espetáculo redesperta um lugar de humor, de emoção. A Revista é isso, tem todos esses momentos. Ali, a Carmen também conta que quiseram taxá-la de americanizada, mas ela mostrou quem realmente era. Tem toda uma questão social. Eu acho fundamental poder fortalecer e conhecer a nossa história pra que a gente consiga continuar nesse caminho de evolução e de resgate de identidade. Quando a gente não sabe de onde veio, a gente fica fraco, fica perdido. E não sabe para onde a gente vai.

 

Guia – O espetáculo é classificado como infantil, mas o dia que eu fui tinha gente de todas as idades e todo mundo estava vibrando.
Fagundes – É um espetáculo feito para a família ir junto. E ao mesmo, tempo tem esse vácuo que existe na nossa formação teatral, que é dos 8 aos 18 anos. A criança já não é mais tão pequena para assistir aqueles espetáculos infantis que são feitos só pra criancinhas, mas também não é adulta o suficiente para acompanhar um movimento teatral muito mais maduro. Então, dos 8 aos 18 ele também é extraordinário. Você pode levar os seus filhos e os seus pais, quaisquer que sejam as idades, que o espetáculo vai atingir a todos de uma forma brilhante.
Amanda – Eu recebo vídeos maravilhosos das crianças cantando a Carmen, querendo ser a Carmen. Eu fiz no Spotify uma lista de músicas que a Carmen gravou e eu aviso as mães que vão ao espetáculo. Tem umas que são muito de crianças. E tem também o visual das roupas. A Carmen é muito lúdica. E é legal porque, através dela, essa garotada tem acesso a um repertório brasileiro, a autores incríveis, e isso também desperta o gosto deles pela nossa música. Teve uma senhora de 94 anos que foi pra frente do palco e ficou cantando para o público. Num outro dia, uma outra senhora pegou a bengala e ficou fazendo uma coreografia. Arte é isso. É pra isso que a gente faz.

 

Guia – Onde você foi buscar essa Carmen além do estereótipo que todos conhecem? Tem muito da mulher Carmen Miranda no espetáculo.
Amanda – Eu li, vi entrevistas. Tem o livro do Ruy Castro, que é a bíblia da Carmen Miranda. Vi filmes e tudo o que foi possível (e ainda vejo). Tem os detalhes de mão. Não é qualquer mão, entende? Os olhos… É tudo muito inteiro, preenchido. Ela é uma figura única que se respeitou como artista e pessoa. O que mais me inspira é que a Carmen é um estado de espírito. Ela desperta isso na gente: Seja! Se solte! Deixe sua alegria contagiar! Deixe sua alegria sair! Ela levou isso pro mundo inteiro e contagiou as pessoas com a arte dela. Então eu vou atrás dessa essência, eu busco em mim esse lugar e isso me faz evoluir como atriz e cantora.

 

Guia – Queria que vocês falassem sobre esse modelo de produção, sem depender de patrocinadores. Vocês acham que a qualidade do espetáculo tem que ser o grande trunfo na busca de público? Esse é o caminho do nosso teatro?
Fagundes – Às vezes, espetáculos que são extraordinários, muito bem feitos, muito bem realizados, inclusive com atores conhecidos, não atingem o gosto do público. Eu acho que a gente tem que começar a pensar em como fazer para atingir o maior número possível de pessoas e com espetáculos de qualidade. É preciso que a gente descubra esse meio termo. E esse meio termo é “Carmen, A Grande Pequena Notável”, um espetáculo de alta qualidade, que tem uma importância cultural muito grande para o país, que fala da nossa história musical de uma forma leve. O público sai profundamente emocionado, cantando as músicas do espetáculo. E ele atinge um número muito grande de pessoas.
Amanda – Eu sempre falo que nós estamos aqui para servir uns aos outros. Uma hora você pode me servir com o seu trabalho. Um dentista, um balconista, uma costureira, um empresário. Cada um serve os outros à sua maneira. E tem que haver aqueles que acolhem o seu serviço. No teatro, o público faz isso acontecer. Sem eles a nossa arte não faz efeito. Esse teatro é feito com amor, contando uma história que a gente acredita, da melhor forma, para acessar o público. E quando você conta uma boa história, o público vai. Se ele está envolvido e com a alma tocada, não importa o gênero. Ele vai sair e dizer pra todo mundo: “Você precisa assistir!”

 

Guia – O espetáculo já estava em cartaz quando você decidiu produzi-lo. O que te seduziu tanto que o levou a tomar essa decisão?
Fagundes – Primeiro, o fato de ser um musical extraordinário. A gente brinca que são músicas-chiclete. A gente sai com elas grudadas na cabeça, cantando. É uma alegria… A gente canta junto durante o espetáculo todo. Segundo, porque todos os atores são maravilhosos e cantam muito bem, com coreografias lindas, cenário criativo. A direção é iluminada. E tem a Amanda Acosta que é a Carmen Miranda. Ela está fazendo um trabalho de atriz e cantora insuperável. Quando a gente assistiu ao espetáculo, num dos últimos dias em cartaz, eu me lembro de sair do teatro comentando que ele deveria ser assistido por um número muito maior de pessoas. Então, essas razões me levaram a produzi-lo e a estender essa temporada. Nós vamos ficar em cartaz até 8 de dezembro e voltamos o ano que vem para ficar em cartaz até o fim de abril lá no Tuca aos sábados e domingos, às 15h.

 

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Serviço:

Carmen – A Grande Pequena Notável

Apresentações: Sáb, 15h | Dom, 15h
Local: TUCA R. Monte Alegre, 1024 – Perdizes
Garanta o seu ingresso: Sympla 

29.11.2019
 
Author: Cristiane Joplin

Redatora do Guia de Teatro

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