Entrevista – Suely Franco e Fafy Siqueira contam tudo sobre a comédia “Muito Louca”

As atrizes Suely Franco e Fafy Siqueira fizeram parte do elenco do musical As Noviças Rebeldes, com direção de Wolf Maia, no início dos anos 90. Porém, nunca se encontraram no palco já que Suely entrou no elenco depois de Fafy ter saído. Finalmente, mais de 15 anos depois, tamanho desencontro é resolvido na comédia ‘Muito Louca’ de Gabriel Chalita, dirigida por Hudson Glauber. O Guia de Teatro conversou com as duas atrizes para saber um pouco mais sobre esse encontro.

 

Guia Vocês participaram do mesmo espetáculo há 15 anos, mas não trabalharam juntas. Hoje, finalmente se encontram no palco. fafy-siqueira-suely-franco-muito-louca-guia-de-teatro
Suely – A gente é muito fã uma da outra. Está sendo incrível!
Fafy – Um dia desses a gente estava comentando sobre isso. Vai ser fogo, duas fãs representando, finalmente juntas, no mesmo palco. As pessoas vão perceber o tesão que a gente tem de trabalhar juntas. O respeito, a admiração. A gente sempre teve muita vontade de dividir o palco e isso finalmente vai acontecer. Com certeza essa energia vai passar para o público.

 

Guia Muito Louca fala de solidão, de felicidade e de relações humanas. Vocês, atrizes, já tiveram a oportunidade de conhecer esses sentimentos nos personagens que vocês vêm fazendo por toda a carreira. O que dá pra trazer de toda essa experiência para este espetáculo?
Suely – Cada peça ensina uma coisa pra gente. Mas a gente só tem essa noção depois que começa a fazer a peça. Enquanto a gente ensaia, só tem cabeça pra decorar, pra criar… Essa noção a gente só vai ter mais tarde. Aí isso tudo vem.
Fafy – E toda a nossa experiência passada, a gente acaba levando para os próximos trabalhos. Com certeza essas experiências estão contribuindo muito para este espetáculo, porque ele é realmente muito sensível.

 

Guia Na peça, as personagens falam, entre outras coisas, sobre seus terapeutas. Vocês acham que o espetáculo funciona como uma espécie de terapia para o público?
Fafy – Com certeza! Tem muita gente que faz teatro não porque quer ser ator ou ser atriz, mas pra fazer um tipo de terapia, porque o teatro mexe mesmo. Essa minha personagem, por exemplo, fala um monte de coisas que eu vejo na vida real. Ela convive com um monte de gente que tem problemas de assumir a idade, com pessoas que são arrumadinhas demais – e eu mesmo sou toda arrumadinha. Não parece, mas eu sou toda arrumadinha (risos!). Eu acho que a gente tem uma experiência muito grande na peça que é praticamente uma sessão terapêutica.
Suely – É. A gente fala, por exemplo, a respeito dos homens para quem essas personagens se dedicam e que eles não ligam pra elas. E quem liga pra elas, elas não gostam. São coisas que acontecem na vida real e por isso, com certeza, há uma identificação. A gente tem certeza que o espetáculo vai mexer muito com o lado sensível das pessoas. Mas, ao mesmo tempo, eles vão rir muito também.

 

Guia – Falar de temas muito sensíveis é mais fácil através da comédia?
Suely – É muito mais fácil, principalmente no nosso país. Porque em muitos outros países o teatro faz parte da vida das pessoas desde que são crianças. Então, eles entendem um Shakespeare, um Molière, muito mais facilmente. O nosso público não tem esse cotidiano, não tem esse costume desde criança. E a comédia tem uma entrada mais fácil.
Fafy – É verdade. A comédia atinge mais facilmente. As pessoas estão mais propensas atualmente a sair de casa para ver uma comédia do que um drama. Eu dei uma entrevista para uma menina que se formou em jornalismo para falar sobre arte e sobre humor. A manchete era “Gargalhada pra mim é orgasmo”. É muito prazeroso rir e é muito interessante usar esse prazer para falar de coisas mais profundas. Mas eu acho que o fundamental, sempre, é ter um bom texto.
Suely – Sim. E o texto do Chalita, assim como a direção do Hudson, são muito sensíveis. A peça é muito divertida e mostra a complexidade das relações entre as pessoas. A gente tem certeza que atinge qualquer um que esteja assistindo. A gente fala de sentimentos. Os sentimentos loucos das mulheres sobre os homens, sobre a família. É tudo isso. A peça tem algumas partes muito sensíveis e outras muito engraçadas. Tem tudo misturado. É muito louca!

 

Serviço:

Muito louca

Temporada até 8 de julho de 2018 no Teatro Raul Cortez.
Apresentações: Sex, 21h | Sáb, 21h | Dom, 18h
Local: Teatro Raul Cortez
 R. Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista

 

30.4.2018
 
Author: Cristiane Joplin

Redatora do Guia de Teatro

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