Casa 1 oferece oficinas culturais gratuitas para discutir HIV

Pouco se sabia sobre o HIV quando ele foi descoberto no início da década de 80, de modo que rapidamente proliferaram imagens do que ele seria e quais rostos possivelmente teria.  A falta de conhecimento trouxe medo, preconceito e estigmatizou as pessoas que viviam com o vírus, que passaram a ser definidas por ele. Trinta anos depois, contudo, muita coisa mudou. O tratamento suprime o vírus a ponto dele não ser mais transmissível ou causar danos no organismo da pessoa com HIV. Mas será que a imagem que fazemos do HIV se atualizou no mesmo ritmo que a medicina? Pois esse é o objetivo dos laboratórios de criação de julho da CASA 1: artes, dança, teatro e performance articulando imagens construídas sobre a soropositividade e pensando outras representações, sem estigmas.

Sob o título “Como falar de um vírus”, a iniciativa engloba quatro workshops de curta duração ministrados por renomados artistas soropositivos. Juntam-se a esse projeto o ator Gabriel Estrela (do musical “Boa Sorte”), a artista plástica Micaela Cyrino, o dançarino Flip Couto (do solo “Sangue”) e o performer e artista plásticx Paulx Castello.  Além disso, haverá um pocket show e uma festa em comemoração aos dois anos de “Boa Sorte”, e uma mesa de debates com Flip, Cyrino e Estrela mediada pela jornalista Regina Volpato.

O objetivo é discutir o HIV e o que é ser soropositivo nos dias de hoje. Tudo isso a partir de manifestações artísticas diversas e sob o olhar e o lugar de fala desses artistas-protagonistas”, destaca Leonardo Dalla Valle, um dos organizadores e curador dos laboratórios de criação.

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Divulgação: Casa Um

Programação “Como falar de um vírus”

Especial: Celebrando dois anos do Projeto “Boa Sorte” – 09/07 – 16h às 20h

[Música] Pocket Show “Boa Sorte”, com Gabriel Estrela

O ator e cantor Gabriel Estrela estreou o musical “Boa Sorte” em 13 de julho de 2015. A peça resgata músicas da MPB para relatar a experiência de diagnóstico de Gabriel e discutir o HIV por meio da cultura e da arte. Para comemorar os dois anos do projeto, o artista apresenta um pocket show da peça para a Casa 1.

 

[Mesa redonda] Artes e soropositividade

A artista plástica Micaela Cyrino, o ator Gabriel Estrela e o artista da dança Flip Couto se reúnem para discutir o que é ser positivo nos dias de hoje e o papel das artes na atualização das representações sociais sobre o HIV.  A mediação fica por conta da renomada jornalista Regina Volpato.

 

[Festa] Boa Sorte – A Festa

DJs de gêneros musicais diversos se revezam para comemorar os dois anos do projeto “Boa Sorte”, com direito a bolo de aniversário para os presentes.

 

 

Laboratórios de Criação

[Dança] Vivência com Flip Couto
Datas: 10/07. Das 14h às 17h  
Número de participantes: 10 pessoas.
Artista: Flip Couto, artista da dança

Partindo de sua bagagem vinda das Danças Urbanas e se utilizando princípios da dança “Locking“, Flip Couto trabalha a partir de imagens e gestulidades propondo dinâmicas em busca criar um fluxo de contágios, sensibilizando os corpos para interagir entre si, com o espaço, sonoridade, memórias e histórias que carregamos em nossos corpos. O trabalho faz parte da pesquisa de seu trabalho solo intitulado “Sangue”. A obra traz como ema a construção da identidade de um individuo negro, gay e positHIVo a partir das suas memórias.

 

 [Artes plásticas] Diálogos sobre a epidemia da Aids com stencil
Datas: 16/07 e 19/07, das 14h às 17h
Número de participantes: 20 pessoas – crianças e pessoas de todas as idades
Artista: Micaela Carolina Cyrino, artista plástica e arte-educadora

A oficina de stencil  é usada de forma leve e didática para educar sobre a epidemia de Aids. O objetivo é dialogar e transformar o estigma e preconceito gerado nessas em todos esses anos. A atividade é indicada para pessoas de todas as idades, especialmente crianças.  Os materiais utilizados na oficina são cedidos pelo Grupo de Incentivo à Vida (GIV), que desde 1990 é uma referência no acolhimento e orientação às pessoas portadoras do vírus HIV, assim como seus familiares e companheiros.

 

 

[Performance] Oficina Ciborgue – Corpos Pós-humanos, Desejos Contrassexuais
Datas: 1, 3, 8 e 11/08, das 19h30 às 22h.
Número de participantes: 10 pessoas, maiores de 18 anos.
Artista: Paulx Castello, artista plástico. Explorar a discussão proposta na teoria queer usando a linguagem audiovisual, corporal e plástica.

Oficina Ciborgue é uma atividade desenvolvida a partir do processo de criação do curta metragem pospornô “X” –  baseado no Manifesto Ciborgue, de Donna Haraway, e no Manifesto Contrassexual, de Paul B. Preciado. A obra reconhece a produção pospornográfica como uma abertura para a sensação corporal e estimulo para produções audiovisuais e performáticas. Os encontros combinam teoria queer e experimentações performáticas.

 

 

[Jogos Teatrais] Corpo e/é afeto
Data: 26/07, das 19h30 às 22h
Número de participantes: 10

Artista: Gabriel Estrela, ator e cantor, é idealizador e intérprete do projeto musical “Boa Sorte”.
Jogos teatrais voltados para impulsionar nosso potencial afetivo. O corpo deixa de ser apenas uma expressão de nós mesmos e também se transforma na expressão das nossas relações com o mundo e com o outro. Participantes devem vir com roupas flexíveis e confortáveis.

 

Sobre a CASA 1

A CASA 1 é um centro de acolhimento de LGBTs expulsos de Casa e um Centro Cultural na região central de São Paulo. Surgiu em 2015, quando o jornalista Iran Giusti abriu as portas do seu apartamento para receber LGBTs que haviam sido expulsos de suas residências. Com a alta demanda, foi realizado um financiamento coletivo para alugar, durante um ano, um sobrado na Bela Vista, região central de São Paulo.

Aberto no dia 25 de janeiro, dia do aniversário da cidade, o sobrado é a residência de 12 moradores em uma república de acolhimento, e também um Centro Cultural composta de salão de exposição, sala de cursos, palestras e workshops e uma biblioteca aberta ao público De fácil acesso aos moradores e aos visitantes, a casa é um espaço aberto, funcionando das 10h às 22h todos os dias para receber quem precisa de apoio, lazer e entretenimento.

 

Serviço:

De 9 de julho a 11 de agosto.

Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público em geral.

As inscrições podem ser realizadas online pelo link bit.ly/comofalardeumvirus .

Como falar de um vírus” contou com o apoio do Grupo de Incentivo à Vida – ONG que desde os anos 90 oferece apoio a pessoas que vivem com HIV na cidade de São Paulo. A organização é assinada pelos atores Daniel Mazzotti, Larissa Okumura, Leonardo Dalla Valle e Stefania Robustelli, sob supervisão de Bruno Oliveira. Curadoria: Leonardo Dalla Valle.

CASA 1 está localizada na rua Condessa de São Joaquim, 277, Bairro Bela Vista, próxima ao metrô São Joaquim. Outras informações pelo e-mail laboratórios.casa1@gmail.com e pela página de Facebook https://www.facebook.com/pg/casaum/

14.7.2017
 
Author: Cristiane Joplin

Redatora do Guia de Teatro

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