Exposição ‘Meus Caros Amigos’ reúne cartas do exílio de Augusto Boal

A exposição Meus Caros Amigos – Augusto Boal – Cartas do Exílio reúne parte da correspondência de Augusto Boal (1931-2009), durante os anos de seu exílio político, de 1971 a 1986. Com curadoria de Eucanaã Ferraz, poeta, consultor de literatura do IMS – Instituto Moreira Salles e professor de Literatura Brasileira na UFRJ , a mostra e segue em cartaz no Sesc Vila Mariana até 25 de junho de 2017. Além das 40 cartas – a maior parte recebida por Boal –, estarão expostos fotografias, passaportes, alguns livros e depoimentos em vídeo de Chico Buarque, Fernanda Montenegro, Fabian Boal, seu filho, e Cecilia Boal, viúva do teatrólogo.

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Augusto Boal é tema de exposição no SESC Vila Mariana

Das centenas de correspondências preservadas no acervo do Instituto Augusto Boal, foram selecionadas as cartas que tocam mais intimamente na solidão do desterro.

Parte desse material é apresentada ao público pela segunda vez – a primeira foi no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro – e, entre seus destaques, está uma carta escrita por Chico Buarque, em 20 de julho de 1975, em que comenta a parceria entre eles para a música Mulheres de Atenas, composta para uma peça de Boal nunca encenada, e uma letra ainda não finalizada para um chorinho de Francis Hime, mais tarde batizado de Meu Caro Amigo, canção que inspirou o nome desta exposição. Outro destaque é a carta da atriz Fernanda Montenegro, que escreveu animada ao amigo em 25 de abril de 1984, dia em que estava sendo votada a emenda constitucional pelas Diretas Já, mas que complementa sua carta na madrugada seguinte com a informação de que infelizmente a proposta não havia sido aprovada.

Boal aproximou-se do teatro na década de 1950, enquanto fazia seu PhD em engenharia química em Nova York. Quando voltou ao Brasil, em 1956, passou a integrar o Teatro de Arena, uma das mais importantes companhias teatrais brasileiras. Após dirigir algumas peças, no início dos anos 1960 já era um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira. Em 1971, foi preso e torturado, e, logo em seguida, deixou o país com a esposa, Cecilia Boal, inicialmente se instalando na Argentina, país de Cecília. Passou pelo Peru e por Portugal e, em 1978, mudou-se para Paris. Voltou definitivamente para o Brasil em 1986, indo morar no Rio de Janeiro onde criou o Centro do Teatro do Oprimido, que tinha como objetivo principal tornar acessível a linguagem teatral a qualquer pessoa. Em 2009, foi nomeado embaixador mundial do teatro pela UNESCO e, neste mesmo ano, veio a falecer.

Educativo

Meus Caros Amigos - exposição com acervo de Augusto Boal

Meus Caros Amigos – Foto Mateus José Maria

A exposição contará ainda, durante todo o período, com um projeto educativo específico, que contemplará ações em mediação. A equipe de educadores terá papel fundamental para a ativação das ideias e reflexões sobre o papel de Augusto Boal no teatro e seus anos de exílio.

Os agendamentos de grupos são realizados pelo e-mail agendamento@vilamariana.sescsp.org.br

Mais informações no site: http://bit.ly/AugustoBoal

Serviço:

Exposição “Meus Caros Amigos – Augusto Boal – Cartas do Exílio”
Até 25 de junho de 2017, terças a sextas, das 10h às 21h; sábados, das 10h às 20h30; domingos e feriados, das 10h às 18h30.
Local: 1º andar – Atrium – Torre A
Não recomendada para menos de 10 anos
Grátis

19.4.2017
 
Author: Cristiane Joplin

Redatora do Guia de Teatro

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